- Podes falar nisso. Não te estou a dizer para não falares. Mas também tens que fazer a outra parte – que é seguir em frente. Tens mesmo que parar de sofrer por causa de um gajo que… eu nem quero dizer…
- Mas diz.
- …é que foi tão mau. Tanta violência. Já chega.
- Sandra, o problema já não é ele. O problema é o que me falta de mim.
- Não te falta nada.
- Faltava. E durante muito tempo. Isto agora demora, Sandra, ir à procura dos pedaços de mim que perdi… (gargalhada) e da fita-cola…
- …mas não vais ser outra vez a mesma Marisa; nunca mais vais ser a mesma. Agora vai ser outra Marisa.
- Está bem, é diferente.
(Silêncio)
- Então o que estás a dizer é que achas que escuso de estar para aqui à procura dos pedaços perdidos para depois os colar num retrato cubista do que fui…
- (Gargalhada) Essa agora foi genial!
- E tu não estás a escrever? Escreve, Sandra, escreve!! Fazemos assim: eu digo coisas geniais e tu escreves. Porque é que hei-de ser eu a fazer tudo?
- Não mudes de conversa.
(Silêncio)
- Achas que já estou completa?
- Estás mais que pronta. Estás mais que pronta.
- Quero a salada grega.
segunda-feira, 23 de abril de 2007
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1 comentário:
E que bem que soube aquela conversa grega!
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