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segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Rugas na testa


Se calhar o erro foi olhar-me ao espelho, mas foi o que fiz. Os estudos sobre a auto-representação têm feito maravilhas pela minha auto-estima, por isso no primeiro dia que fiquei em casa tratei de actualizar os ficheiros. Acabei, como sempre, por achar que a imagem que vejo no espelho não é a mesma que fica na lente.

Tentando averiguar deste mistério, chego-me muito perto do espelho e é então que reparo: tenho rugas na testa. Não quero acreditar.

Quando era pequena, o meu pai contava uma anedota de que eu gostava muito, cuja punchline era “Isto não estava aqui ontem”. Foi a frase que me ocorreu. Não me espanta que tenha rugas, mas custa-me acreditar que nunca tivesse reparado. Custa-me que sejam na testa: queria ter marcas de tudo o resto, mas não do desgosto ou da preocupação. Rugas na testa é marca de preocupação.

Inclino-me para fazer a luz incidir de modo diferente: nada a fazer; elas cá estão. E não é uma ou duas, está tudo às riscas, parece uma partitura.

Comento o caso com o meu pai, que me garante que o caso é antigo. Que envernizar a testa é uma expressão muito típica minha, que faço desde pequena.

Talvez seja verdade; de facto, enquanto criança, punha um ar grave nas fotografias... E aqui está o resultado: tenho a testa sulcada de riozinhos que não vão dar a parte nenhuma.

Claro está que esta descoberta me tem trazido cheia de preocupação, e com a testa muito mais franzida do que era costume...

1 comentário:

jorge vicente disse...

tens rugas na testa porque te preocupas se as tens ou não. o melhor é nem sequer te preocupares. ou então, divertires-te com elas, fazeres festinhas, dar um aspecto positivo à coisa.

e transformares uma ruga num momento de aceitação e auto-estima. e considerares-te sempre bonita.

um grande abraço
jorge