Querida Kitty:
estou toda melancólica.
Comecei a escrever sem saber para quem, com a linha do 'para' vazia.
Queria estar no Porto. Apetecia-me ir à Foz. Às vezes o cheiro do mar chega até ao Campo Alegre e as gaivotas voam em círculos sobre a Boavista.
Se calhar o Porto que me faz falta é um Porto que já não existe. (Que nome para dar a uma cidade, não? E, quando a nostalgia ataca... que nome para repetir com nostalgia... )
"Procuro o meu Porto", "faz-me falta um Porto", "aquele Porto que já foi o meu"... soa sempre a naufrágio.
Não há maneira de fazer soar razoável uma nostalgia de uma cidade com um nome destes.
Dizer só o resto, como se de uma cidade abstracta: cheira a mar, às vezes, pela cidade dentro, mesmo longe da foz. As gaivotas voam em círculos, longe da margem, cidade dentro, mesmo que não haja tempestade. Vamos jantar à foz, com metáforas e tudo. Que se lixe: vamos ao Porto.
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