Claro que isto é a construção mental de duas mulheres malucas. Eu queria que as coisas fossem assim e ela por solidariedade queria-o ainda mais do que eu.
Levámos meses a traçar perfis e hermenêuticas a partir dos vestígios subtis que percorrem as entrelinhas dos gestos. As palavras vistas à lupa, os silêncios medidos ao milímetro. Durante meses ou anos não tínhamos nada para analisar, especulávamos no vazio (sim, o vazio serve muito bem). Depois, começámos a auscultar o silêncio. Ultimamente, temos escrito tomos sobre tomos de especulação e análise. Reduzimos a apenas duas hipóteses as miríades de dados recolhidos. Há muito pouco tempo, na minha cabeça (e na cabeça amiga solidária) optei por uma delas.
Um destes dias, a caminho do ginásio, a amiga solidária pôs o marido a par destas investigações e expôs-lhe a conclusão alcançada. Ele acena gravemente com a cabeça. O marido da amiga solidária concorda com o diagnóstico.
Do outro lado, a amiga prudente vê isto com muito maus olhos. Ela já ouviu esta história toda. Já conhece estes entusiasmos e sabe demasiado bem onde isto pode ir parar. Para onde se encaminham os devaneios dos crentes. Que é como quem diz, das mulheres malucas. Que é como quem diz, de quem ainda acredita.
Mas nós também sabemos. Sabemos que isto é tudo na nossa cabeça. Sabemos que pode ser só a nossa leitura de mulheres apaixonadas (os maridos solidários apoiam as suas esposas nos seus devaneios), sabemos que a realidade pode ser diferente. Mas – precisamos de acreditar.
Levámos meses a traçar perfis e hermenêuticas a partir dos vestígios subtis que percorrem as entrelinhas dos gestos. As palavras vistas à lupa, os silêncios medidos ao milímetro. Durante meses ou anos não tínhamos nada para analisar, especulávamos no vazio (sim, o vazio serve muito bem). Depois, começámos a auscultar o silêncio. Ultimamente, temos escrito tomos sobre tomos de especulação e análise. Reduzimos a apenas duas hipóteses as miríades de dados recolhidos. Há muito pouco tempo, na minha cabeça (e na cabeça amiga solidária) optei por uma delas.
Um destes dias, a caminho do ginásio, a amiga solidária pôs o marido a par destas investigações e expôs-lhe a conclusão alcançada. Ele acena gravemente com a cabeça. O marido da amiga solidária concorda com o diagnóstico.
Do outro lado, a amiga prudente vê isto com muito maus olhos. Ela já ouviu esta história toda. Já conhece estes entusiasmos e sabe demasiado bem onde isto pode ir parar. Para onde se encaminham os devaneios dos crentes. Que é como quem diz, das mulheres malucas. Que é como quem diz, de quem ainda acredita.
Mas nós também sabemos. Sabemos que isto é tudo na nossa cabeça. Sabemos que pode ser só a nossa leitura de mulheres apaixonadas (os maridos solidários apoiam as suas esposas nos seus devaneios), sabemos que a realidade pode ser diferente. Mas – precisamos de acreditar.
Sem comentários:
Enviar um comentário