A noite cai e com ela o cheiro da madressilva. Minúsculas flores lilases temperam o alcatrão. O vento amaina, vêm morangos de Espanha e o calor começa a espalhar-se pelas pedras mudas da calçada. Onde menos se espera, floresce uma amendoeira. Pela cidade, cimentada de rostos invernosos, vão chovendo flores. Que pairam no ar, como flocos de neve, um longo tempo, antes de pousarem no chão. Nos bancos de jardim. Nos rostos. Depois chegam morangos e já não são de Espanha. Flores lilases no alcatrão e, a cada esquina, as inesperadas amendoeiras. E, ao cair da noite, o violento, telúrico, incondicional - aroma da madressilva.
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